Resolução CONAMA 506/2024: Mudança na Legislação e nos Parâmetros da Qualidade do Ar

O marco regulatório que redefine padrões ambientais e fortalece o monitoramento da qualidade do ar no Brasil

Legislação Qualidade do ar Leitura de 5 min Por Equipe técnica Ambimet
Em resumo
  • Publicada em julho de 2024, a Resolução 506/2024 substitui a 491/2018.
  • Define padrões para MP10, MP2,5, SO₂, NO₂, O₃, CO, PTS e Pb.
  • A implantação é progressiva, em etapas de PI-1 até o Padrão Final.
  • O IQAr foi revisado, com divulgação em tempo real a partir de 2026.

Introdução

A qualidade do ar sempre foi um tema sensível no Brasil. Desde a Resolução CONAMA nº 03/1990, que estabeleceu os primeiros padrões nacionais, o país vem atualizando suas normas para alinhar-se às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e às evidências científicas sobre os impactos da poluição atmosférica na saúde e no meio ambiente.

Em julho de 2024, o Conselho Nacional do Meio Ambiente publicou a Resolução nº 506/2024, substituindo a Resolução nº 491/2018 e inaugurando uma nova etapa na política de controle da qualidade do ar. Essa atualização não é apenas técnica — é histórica, pois cria um cronograma de transição que deverá transformar a forma como estados, municípios, indústrias e a sociedade acompanham a poluição atmosférica.

Histórico normativo: da Resolução 03/1990 à 506/2024

1990 · Resolução 03/1990Instituiu os primeiros padrões nacionais de qualidade do ar, baseados em valores de referência internacionais da época.
2018 · Resolução 491/2018Introduziu os conceitos de padrões intermediários (PI) e padrão final (PF), estabelecendo uma transição gradual.
2024 · Resolução 506/2024Aprofunda essa transição, ajusta os limites para MP10, MP2,5, SO₂, NO₂, O₃, CO, PTS e Pb, incorpora critérios mais rígidos e fortalece a transparência na divulgação dos dados.

Essa evolução mostra como o Brasil está se aproximando cada vez mais das diretrizes da OMS, que recomendam limites de exposição muito mais restritivos para proteger a saúde da população.

Principais pontos da Resolução CONAMA 506/2024

1. Novos padrões de qualidade do ar

A resolução estabelece valores máximos permitidos para os principais poluentes atmosféricos:

MP10 · MP2,5Material particulado
SO₂Dióxido de enxofre
NO₂Óxidos de nitrogênio
O₃Ozônio
COMonóxido de carbono
PTSPartículas totais em suspensão
PbChumbo

Esses parâmetros são mais restritivos do que os anteriores, alinhando o país a práticas internacionais.

2. Estrutura em etapas (PI-1 até PF)

A implementação dos novos padrões será progressiva, em cinco fases:

PI-1até 31/12/2024
PI-2a partir de 01/01/2025
PI-3em 2033
PI-4em 2044 (com possibilidade de ajustes de prazo)
PFPadrão Final: a ser definido por resolução futura

Esse escalonamento busca compatibilizar rigor técnico e viabilidade prática, permitindo que estados e municípios ajustem suas redes de monitoramento.

3. Índice de Qualidade do Ar (IQAr) revisado

A resolução exige que o Índice de Qualidade do Ar (IQAr) seja atualizado até o fim de 2024, com divulgação em tempo real a partir de 2026. Essa medida promove maior transparência pública e fortalece o controle social.

4. Guia Técnico para Monitoramento

O MMA deverá publicar, em até 18 meses, um Guia Técnico atualizado, estabelecendo:

  • Métodos de referência para amostragem e análise;
  • Critérios de localização e operação de estações de monitoramento;
  • Procedimentos para cálculo do IQAr.

5. Relatórios e transparência

A resolução determina a elaboração de relatórios nacionais quadrienais com a evolução da qualidade do ar, medidas de controle aplicadas e avaliação da viabilidade de avançar para os padrões mais rigorosos.

Impactos para monitoramentos ambientais

Para órgãos ambientais e empresas, a Resolução 506/2024 significa:

  • Necessidade de maior precisão nos monitoramentos;
  • Adesão a metodologias padronizadas pela ABNT;
  • Ampliação das redes de monitoramento em áreas urbanas e industriais;
  • Mais responsabilidade e transparência, já que os dados deverão estar acessíveis ao público.
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Técnico da Ambimet em campo

Conclusão

A Resolução CONAMA 506/2024 não é apenas uma atualização legal: é um marco histórico na política ambiental brasileira. Ao redefinir os parâmetros da qualidade do ar e estabelecer critérios mais rígidos de monitoramento, o Brasil dá um passo decisivo em direção à proteção da saúde da população e à modernização da gestão ambiental.

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Resolução 506/2024: O Futuro da Qualidade do Ar no Brasil Está em Jogo Descubra o que muda na legislação, como os novos parâmetros afetam empresas e órgãos ambientais, e por que essa atualização é um marco histórico para o monitoramento da qualidade do ar.

Perguntas frequentes

O que é a Resolução CONAMA 506/2024?

É a norma do Conselho Nacional do Meio Ambiente, publicada em julho de 2024, que estabelece os padrões nacionais de qualidade do ar e substitui a Resolução 491/2018.

Quais poluentes a resolução regula?

Material particulado (MP10 e MP2,5), dióxido de enxofre (SO₂), óxidos de nitrogênio (NO₂), ozônio (O₃), monóxido de carbono (CO), partículas totais em suspensão (PTS) e chumbo (Pb).

Quando entram em vigor os novos padrões?

De forma progressiva: PI-1 até 31/12/2024, PI-2 a partir de 01/01/2025, PI-3 em 2033, PI-4 em 2044 e o Padrão Final a ser definido por resolução futura.

O que muda para as empresas?

Maior precisão nos monitoramentos, adesão a metodologias padronizadas pela ABNT, ampliação das redes de monitoramento e mais transparência, já que os dados deverão estar acessíveis ao público.

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