- NOx é a soma de NO e NO₂; na legislação, é expresso como NO₂.
- Controle de NOx é controle de combustão: temperatura de chama, excesso de ar e tempo de residência.
- A CONAMA 506/2024 define padrões de qualidade do ar em etapas (PI-1 a PI-4) até o Padrão Final.
- A CONAMA 382/2006 traz limites de emissão de NOx por processo, combustível e porte.
O dióxido de nitrogênio (NO₂) e o conjunto de óxidos de nitrogênio (NOx) deixaram de ser apenas “mais um” item na planilha ambiental. São poluentes centrais na avaliação de qualidade do ar e das emissões atmosféricas industriais, além de precursores diretos de ozônio troposférico, smog fotoquímico e chuva ácida.
No Brasil, o monitoramento de NO₂ aparece em duas frentes claras:
- Qualidade do ar ambiente – sob a Resolução CONAMA nº 506/2024;
- Emissões atmosféricas em chaminés – sob algumas Resoluções CONAMA como por exemplo a Resolução CONAMA nº 382/2006 e a CONAMA nº 436/2011.
Aqui vamos explicar o que sua indústria precisa saber sobre NO₂/NOx: conceitos, impactos, padrões legais, formas de monitoramento e como a Ambimet transforma tudo isso em dados confiáveis para tomada de decisão.
O que é NO₂ (e por que ele vem sempre acompanhado do NOx)?
Na prática regulatória, quase sempre você vai encontrar NOx expresso como NO₂.
Isso acontece porque as fontes estacionárias em geral emitem predominantemente
óxido nítrico (NO), que se converte rapidamente em NO₂ na atmosfera. Por convenção,
os limites são definidos como “NOx (como NO₂)”.
Em termos simples:
- NO – gás incolor, pouco solúvel, que sai direto da combustão;
- NO₂ – gás marrom, de odor característico, altamente reativo, o “rosto” dos NOx na poluição do ar;
- NOx – soma de NO + NO₂ (e pequenas frações de outros óxidos), tratada na legislação como NO₂ equivalente.
Esse grupo de poluentes é fundamental porque:
- participa diretamente da formação de ozônio troposférico (O₃), principal componente do smog;
- contribui para chuva ácida e acidificação de solos e corpos d’água;
- está associado a agravamento de doenças respiratórias e aumento de internações, mesmo em concentrações relativamente baixas.
As principais fontes antropogênicas de NOx são:
- Fontes estacionárias – caldeiras, fornos industriais, incineradores, turbinas a gás, termelétricas, unidades de refino, cimento, vidro, siderurgia, papel e celulose;
- Fontes móveis – frota rodoviária, maquinário pesado, navios;
- Queima de biomassa – biomassa de cana-de-açúcar, resíduos agrícolas e florestais.
Na combustão industrial, o NOx é formado principalmente por:
- NO térmico – reação do N₂ do ar com O₂ em altas temperaturas e excesso de oxigênio;
- NO de constituição – formados a partir do nitrogênio presente no combustível ou pela reação de radicais da chama com o N₂.
Isso significa, na prática, que controle de NOx é controle de combustão: temperatura de chama, excesso de ar, tempo de residência e qualidade de queima definem boa parte dos seus números de emissões.
Impactos do NO₂ na saúde e no meio ambiente
Organismos internacionais como a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconhecem o NO₂ como poluente com efeitos agudos e crônicos na saúde respiratória, mesmo em níveis abaixo de episódios críticos.
Entre os principais efeitos associados a exposições elevadas ou prolongadas:
- irritação das vias aéreas, tosse, falta de ar;
- agravamento de asma, bronquite;
- aumento de internações hospitalares e mortalidade por causas respiratórias;
- maior sensibilidade a infecções respiratórias em crianças e idosos.
Ambientalmente, concentrações elevadas de NO₂ e NOx:
- contribuem para ozônio troposférico, que afeta saúde humana e vegetação;
- participam da formação de partículas secundárias (nitratos) que aumentam MP₂,₅;
- reforçam processos de chuva ácida e eutrofização.
Por isso, reguladores tratam NO₂/NOx como poluente-âncora, tanto para qualidade do ar quanto para emissões em chaminés.
Padrões de qualidade do ar para NO₂ no Brasil (Resolução CONAMA 506/2024)
A Resolução CONAMA nº 506/2024 estabelece os novos padrões nacionais de qualidade do ar, alinhados às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e substitui a antiga Resolução CONAMA nº 491/2018.
Para o dióxido de nitrogênio (NO₂), essa norma identifica que os padrões nacionais de qualidade do ar devem ser implementados em etapas (PI-1 a PI-4) até atingir o Padrão Final (PF).
Na prática, isso significa:
- Os estados e municípios devem adotar os valores intermediários (PI-1) até 31 de dezembro de 2024.
- A partir de 1º de janeiro de 2025 iniciam os valores PI-2.
- O padrão final ainda será adotado em data futura conforme nova resolução.
Na prática, isso significa:
- mais atenção à rede de monitoramento da qualidade do ar em regiões urbanas e industriais;
- maior necessidade de integrar dados de emissões em chaminé com dados de qualidade do ar e, quando necessário, estudos de dispersão atmosférica.
Limites de emissões atmosféricas para NOx (como NO₂) – CONAMA 382/2006
A Resolução CONAMA nº 382/2006 estabelece os padrões nacionais de emissão para fontes estacionárias de poluição atmosférica. Para NOx (expressos como NO₂), a norma traz limites por tipo de processo, combustível e porte da fonte.
Alguns exemplos (valores típicos, em mg/Nm³):
- Geração de calor e energia (caldeiras):
- Óleo combustível:
- <10 MW: 1.600 mg/Nm³
- 10–70 MW: 1.000 mg/Nm³
- 70 MW: 1.000 mg/Nm³
- Gás natural:
- <10 MW: 320 mg/Nm³
- 10–70 MW: 320 mg/Nm³
- 70 MW: 200 mg/Nm³
- Biomassa de cana-de-açúcar: 350 mg/Nm³ (para determinadas faixas de potência)
- Óleo combustível:
- Atividades diversas (exemplos):
- Refinarias de petróleo – caldeiras: 320 mg/Nm³ (pequenas e médias) e 200 mg/Nm³ (grandes);
- Fornos de cimento: 650 mg/Nm³;
- Fabricação de celulose – caldeira de recuperação e forno de cal: 470 mg/Nm³;
- Vidro, siderurgia, ácido nítrico e outros processos com limites específicos.
Esses valores são a referência direta para:
- monitoramentos periódicos em chaminés;
- avaliação de conformidade em auditorias ambientais e licenciamentos;
- dimensionamento e ajuste de sistemas de controle de NOx (queimadores de baixo NOx, recirculação de gases etc.).
Como monitorar NO₂ na qualidade do ar ambiente
Em redes de qualidade do ar, o NO₂ é medido principalmente por:
- Analisadores automáticos contínuos – em geral baseados em quimiluminescência, que medem NO, NO₂ e NOx em tempo quase real (minutos).
- Amostradores passivos – tubos ou placas que absorvem NO₂ ao longo de um período (por exemplo, 15 dias ou 30 dias), úteis para estudos de longo prazo e áreas sem infraestrutura de estações automáticas.
Um sistema completo de monitoramento da qualidade do ar para NO₂ costuma integrar:
- estações em pontos sensíveis (bairros residenciais, escolas, hospitais, áreas lindeiras a polos industriais);
- dados meteorológicos (vento, temperatura, estabilidade atmosférica);
- análise estatística de médias horárias, diárias e anuais com comparação aos padrões da CONAMA 506/2024;
- quando necessário, modelagem de dispersão atmosférica, conectando emissões de chaminé e concentrações no entorno.
Como monitorar NOx em chaminés (emissões atmosféricas)
Para atender às Resoluções do CONAMA e demais normas estaduais, o NOx em fontes estacionárias pode ser monitorado de duas formas principais:
- Ensaios pontuais em chaminé
- Amostragem em condição representativa do processo;
- Medição de NOx (como NO₂), O₂, CO₂, CO, temperatura, pressão e umidade;
- Cálculo das concentrações de referência (mg/Nm³, base seca, O₂ de referência conforme a norma);
- Aplicação dos métodos de referência da ABNT, CETESB e US EPA, conforme o tipo de fonte.
- Sistemas de Monitoramento Contínuo de Emissões (CEMS)
- Analisadores fixos instalados na chaminé, medindo continuamente NOx, O₂, SO₂, entre outros;
- Integrados a sistemas de aquisição de dados (DAS) e relatórios automáticos;
- Usados especialmente em termelétricas, grandes caldeiras e processos com alta criticidade regulatória.
Em ambos os casos, três pontos são decisivos:
- Rastreabilidade metrológica – calibração sob ISO/IEC 17025, com certificados válidos;
- Verificações intermediárias – checagens de vazão, linearidade e resposta antes das campanhas;
- Incerteza de medição – cálculo e declaração da incerteza, especialmente relevante para resultados próximos ao limite legal.
NO₂ é só o começo: entre outros poluentes regulados
Ao planejar o monitoramento da sua planta, é comum que NO₂/NOx venha acompanhado de outros poluentes regulados pela CONAMA:
- Qualidade do ar (CONAMA 506/2024):
- MP₁₀, MP₂,₅ (material particulado);
- SO₂ (dióxido de enxofre);
- O₃ (ozônio);
- CO (monóxido de carbono);
- NO₂ (dióxido de nitrogênio).
- Emissões em chaminés (CONAMA's):
- MP (material particulado);
- NOx (como NO₂ - dióxido de nitrogênio);
- SO₂ (dióxido de enxofre);
- CO (monóxido de carbono);
- Compostos específicos conforme o setor (por exemplo, HCl (Ácido Clorídrico), HF (Ácido Fluorídrico), Dioxinas e Furanos, etc.).
Essa visão integrada é importante para:
- planejar campanhas de monitoramento com máxima eficiência (menos paradas, mais dados por campanha);
- correlacionar combustão, eficiência energética e emissões;
- alimentar estudos de dispersão e risco ambiental com dados robustos.
Como a Ambimet monitora NO₂/NOx com foco em decisão e conformidade
Na Ambimet, o monitoramento de NO₂/NOx não é só “mais uma linha no laudo”. Ele é desenhado para responder perguntas práticas do gestor ambiental e da operação:
- “Estamos dentro dos limites da CONAMA e das normas estaduais?”;
- “Se eu mudar combustível ou carga de produção, o que acontece com o NOx?”;
- “Qual é o real impacto das emissões de NO₂ na qualidade do ar do entorno (CONAMA 506/2024)?”;
Para isso, integramos:
- Monitoramentos em chaminé – ensaios isocinéticos e instrumentais, com equipe treinada e métodos de referência reconhecidos;
- Monitoramento da qualidade do ar – estações automáticas, amostragem passiva e campanhas específicas;
- Modelagem de dispersão de poluentes – conectando emissões de NOx às concentrações em áreas vizinhas, com dados meteorológicos de longo prazo;
- Laboratório acreditado ISO/IEC 17025 – garantindo rastreabilidade, cartas de controle, brancos, controles internos e cálculo de incerteza.
Resultado: dados defendíveis em auditoria, dialogando com o jurídico, o órgão ambiental e a engenharia de processo.
Quando faz sentido revisar o seu monitoramento de NO₂/NOx
Vale a pena reavaliar a sua estratégia de monitoramento de NO₂/NOx quando:
- sua planta passa por mudança de combustível, aumento de carga ou retrofit de caldeiras/fornos;
- o órgão ambiental exige planos de adequação à CONAMA 506/2024 em áreas críticas de qualidade do ar;
- você precisa comprovar eficiência de sistemas de controle de NOx (queimadores low-NOx, SCR, SNCR etc.);
- há divergência entre dados internos e queixas da comunidade, MP ou imprensa;
- os resultados de emissões estão sistematicamente próximos ao limite legal – zona em que incerteza e metodologia passam a ser decisivas.
Próximo passo: transformar NO₂ em indicador de gestão, não em risco oculto
NO₂/NOx é, ao mesmo tempo, sinal da sua combustão e ponto sensível para o órgão ambiental. Quando bem monitorado, ele vira um indicador poderoso de eficiência, risco e oportunidade de melhoria.
A Ambimet ajuda sua indústria a:
- alinhar monitoramentos de emissões e qualidade do ar às Resoluções CONAMA 506/2024, 382/2006 e demais normas aplicáveis;
- estruturar campanhas que reduzem re-coletas e paradas desnecessárias;
- produzir laudos que resistem à auditoria – com método, evidências e incerteza claramente documentados.
Se você precisa discutir um caso específico de NO₂/NOx, revisar uma estratégia de monitoramento ou planejar uma ampliação de planta, fale com a Ambimet.
Transformamos “mais um número de NO₂” em decisão segura, comprovada em dados.
Assista agora: Incerteza de Medição em Emissões Atmosféricas
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre NO, NO₂ e NOx?
NO é um gás incolor que sai direto da combustão; NO₂ é um gás marrom, altamente reativo; e NOx é a soma de NO + NO₂, tratada na legislação como NO₂ equivalente.
Quais são as principais fontes de NOx?
Fontes estacionárias (caldeiras, fornos, turbinas, termelétricas, refino, cimento, vidro, siderurgia, papel e celulose), fontes móveis e queima de biomassa.
Como o NO₂ é monitorado no ar ambiente?
Principalmente por analisadores automáticos contínuos (quimiluminescência) e por amostradores passivos, que absorvem NO₂ ao longo de um período.
Como o NOx é monitorado em chaminés?
Por ensaios pontuais em chaminé, com métodos de referência da ABNT, CETESB e US EPA, ou por sistemas de monitoramento contínuo de emissões (CEMS).

