Monitoramento de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs/VOC) no Brasil

Na qualidade do ar, nas emissões industriais e na saúde pública.

Os Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), também conhecidos internacionalmente como VOC (Volatile Organic Compounds), são substâncias que apresentam alta pressão de vapor à temperatura ambiente e representam um dos principais desafios na gestão da qualidade do ar no Brasil. Presentes em diversas atividades industriais, no tráfego veicular e até mesmo em fontes naturais, os COVs não apenas afetam a saúde pública diretamente, mas também atuam como precursores na formação do ozônio troposférico, contribuindo significativamente para a formação de smog fotoquímico em grandes centros urbanos.

Com a crescente pressão regulatória ambiental, a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e as exigências da Resolução CONAMA nº 491/2018, o monitoramento adequado de COVs tornou-se imperativo para indústrias, consultores ambientais e órgãos de fiscalização. Este artigo apresenta um guia técnico completo sobre o monitoramento de compostos orgânicos voláteis, abordando sua caracterização, legislação aplicável, métodos de análise e as melhores práticas para conformidade ambiental.

1. O que são Compostos Orgânicos Voláteis (COVs)?

Compostos Orgânicos Voláteis são substâncias orgânicas que possuem uma pressão de vapor superior a 0,01 kPa à temperatura de 20°C e 101,325 kPa, ou que apresentam ponto de ebulição inferior a 250°C. Essa característica permite que evaporem facilmente à temperatura ambiente, liberando-se na atmosfera e participando de reações químicas complexas.

Principais tipos de COVs

Hidrocarbonetos Aromáticos: benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (BTEX)

Aldeídos: formaldeído, acetaldeído

Cetonas: acetona, metiletilcetona (MEK)

Álcoois: metanol, etanol

Éteres: metil terc-butil éter (MTBE)

Outros: propeno, propano, butanos, pentanos

O grupo BTEX (Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos) merece destaque especial por sua alta toxicidade e prevalência em atividades petroquímicas, refinarias e tráfego veicular.

Fontes de emissão

Fontes Industriais:

Refinarias de petróleo e indústria petroquímica

Indústria de tintas, vernizes e revestimentos

Fabricação de solventes e indústria farmacêutica

Processos de limpeza a seco e indústria de impressão

Fontes Veiculares:

Emissões diretas do escapamento (combustão incompleta)

Evaporação de combustível em tanques e postos de abastecimento

Fontes Naturais:

Emissões biogênicas de vegetação (isopreno, pineno)

Decomposição microbiana em solos

2. Por que monitorar COVs?

O monitoramento de compostos orgânicos voláteis é essencial por múltiplas razões que transcendem a conformidade regulatória:

Impactos à Saúde Pública

Diversos COVs apresentam potencial cancerígeno, especialmente o benzeno, classificado como carcinógeno humano Grupo 1 pela IARC. A exposição crônica ou aguda pode causar:

Leucemia (particularmente associada ao benzeno)

Irritação das vias respiratórias e problemas neurológicos

Alergias e sensibilidades químicas múltiplas

Redução da função pulmonar

Impactos Ambientais

Os COVs atuam como precursores do ozônio troposférico, reagindo com óxidos de nitrogênio (NOx) na presença de luz solar para formar ozônio de baixa altitude, componente principal do smog fotoquímico. Este processo é especialmente crítico em cidades como São Paulo, onde a combinação de emissões industriais, tráfego intenso e condições meteorológicas favorecem a formação de ozônio.

3. Legislação brasileira aplicável

Resolução CONAMA nº 491/2018 – Estabelece os padrões de qualidade do ar para COVs em nível nacional, incluindo padrão de qualidade do ar para benzeno com limite de 5 µg/m³ (média anual).

Resolução CONAMA nº 382/2006 e nº 436/2011 – Estabelecem limites de emissão para fontes fixas, incluindo refinarias de petróleo, indústria petroquímica e indústrias de revestimentos e solventes.

NR-15 (Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho) – Estabelece limites de exposição ocupacional para COVs, definindo limite de tolerância para benzeno de 5 ppm (16 mg/m³) como média ponderada.

Portaria Interministerial MTE/MS nº 9/2014 – Específica para benzeno, reconhecendo sua carcinogenicidade e estabelecendo procedimentos especiais de monitoramento e vigilância da saúde.

A CETESB publica diretrizes técnicas complementares para monitoramento de COVs, especialmente através de seu Programa de Monitoramento de Qualidade do Ar (QUALAR).

4. Métodos de monitoramento de COVs

A escolha do método de monitoramento depende do objetivo (qualidade do ar ambiente vs. emissão de fontes fixas), da precisão requerida e dos COVs alvo.

Monitoramento Contínuo em Fontes Fixas (CEMS)

Analisadores por FID (Flame Ionization Detector): Detectam carbono total em compostos orgânicos com alta sensibilidade e resposta rápida. Ideais para monitoramento em tempo real de emissões, mas não diferenciam entre COVs específicos.

Analisadores por PID (Photoionization Detector): Detectam compostos com potencial de ionização inferior a 11,7 eV, oferecendo maior especificidade para certos compostos. Complementares ao FID.

Amostragem em Fontes Fixas (Chaminés)

Métodos TO-14A e TO-15 (US EPA): Coleta em canisters com análise por Cromatografia Gasosa com Espectrometria de Massa (GC-MS). Fornece identificação e quantificação de COVs específicos. Requer laboratório acreditado em ISO/IEC 17025.

Tubos de Adsorção: Carvão ativado para compostos de cadeia mais longa (C4-C20) e Tenax TA para compostos mais voláteis (C2-C5). Análise subsequente por dessorção térmica com GC-MS. Custo-efetivo para campanhas de monitoramento.

Detectores Portáteis

Detectores PID de mão: Ideais para avaliações rápidas de campo, investigações de fontes de odor e triagem preliminar. Menor precisão que equipamentos de laboratório, mas excelente para screening inicial.

5. Setores industriais com maior demanda

No Brasil, diversos setores demandam monitoramento robusto de COVs:

Petroquímico e Refino de Petróleo – Múltiplas fontes: destilação, transferência de produtos, tanques de armazenamento

Indústria de Tintas, Vernizes e Solventes – Processos de mistura, aplicação de revestimentos e armazenamento. Emissões: tolueno, xileno, MEK, acetona

Indústria Farmacêutica – Síntese química, extração com solventes, operações de secagem

Setor Automotivo (Pintura) – Cabines de pintura e secagem, limpeza de equipamentos

Indústria de Impressão e Embalagens – Uso de tintas e adesivos, processos de secagem

Postos de Combustíveis – Emissões evaporativas durante abastecimento, fugas em tanques subterrâneos

6. Monitoramento de COVs e o mercado de carbono

Com a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), o monitoramento rigoroso de COVs ganhou nova dimensão estratégica.

A Lei 15.042/2024 estabelece a estrutura do mercado de carbono brasileiro, incluindo obrigatoriedade de Medição, Relato e Verificação (MRV) de emissões, rastreabilidade total das emissões de fontes fixas e relatórios auditáveis por terceiros independentes.

Como precursores do ozônio, os COVs influenciam indiretamente o ciclo de vida do carbono e as políticas climáticas. Empresas que demonstram redução de emissões de COVs podem:

Acessar mecanismos de offset de carbono

Cumprir metas de redução de poluentes

Melhorar sua posição em leilões de emissões

Fortalecer conformidade com ESG (Environmental, Social, Governance)

7. Como a Ambimet pode ajudar

A Ambimet possui experiência consolidada em monitoramento ambiental da qualidade do ar e emissões atmosféricas, com expertise reconhecida no monitoramento de compostos orgânicos voláteis em fontes fixas e qualidade do ar ambiente.

Nossos Serviços:

Monitoramento contínuo com equipamentos (FID, PID)

Amostragem em fonte fixa utilizando metodologias TO-14A e TO-15 com análise em GC-MS

Campanhas de qualidade do ar para avaliação de COVs ambientais

Assessoria técnica para conformidade com CONAMA 491/2018, CONAMA 382/2006 e demais regulamentações

Suporte para mercado de carbono com MRV conforme Lei 15.042/2024

Relatórios técnicos elaborados para apresentação a órgãos ambientais

Somos acreditados em ISO/IEC 17025 para análises ambientais, garantindo rastreabilidade metrológica, precisão dos resultados e conformidade com normas internacionais.

Para solicitar orçamento ou maiores informações sobre monitoramento de COVs/VOC para sua empresa, entre em contato conosco. Nossos especialistas estão prontos para avaliar sua situação específica e propor soluções customizadas que garantam conformidade regulatória e resultados confiáveis para tomada de decisão ambiental.

Equipamentos certos, resultado defendível.

Ambimet mostra tudo sobre as emissões atmosféricas. Aperte o play:

Você também pode gostar!

Monitoramento de Emissões Atmosféricas e Qualidade do Ar em Regiões Costeiras

Monitoramento de dióxido de nitrogênio (NO₂/NOx) no Brasil

Você sabia que pode personalizar seu monitoramento de emissões atmosféricas em chaminés com a Ambimet? Atendendo todas as Normas aplicáveis!

Agende uma conversa com nossa equipe de especialistas/Consultores e obtenha uma solução personalizada para sua necessidade de monitoramento da emissão de sua chaminé.

Realizamos os monitoramentos das chaminés de sua fábrica de uma maneira que você nunca viu!

Entre em contato conosco para saber mais sobre nossos modelos e soluções de monitoramento de chaminés.

Ambimet – Monitoramento Ambiental em Todos os Estados do Brasil

A Ambimet é referência em monitoramento de emissões atmosféricas e qualidade do ar, atendendo empresas em todos os estados do Brasil. Contamos com unidades próprias em Alagoas (AL) e São Paulo (SP), garantindo cobertura nacional, agilidade no atendimento e resultados confiáveis.